Arquivo de novembro, 2012


O “Papai do Céu” não é um bom velhinho que atende os nossos pedidos se nos comportarmos bem durante todo o ano. Nem muito menos é daqueles que, quando oramos, podemos inverter os papéis a ponto de Lhe falarmos: “Que Tu possas”; e, ao nos referirmos a nós mesmos, usarmos as expressões “Eu declaro!”, ou “Eu afirmo!”. Na realidade, Ele pode todas as coisas “e tudo faz como Lhe agrada”.

por Augusto Guedes

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Estava num shopping da cidade, em pleno início do mês de novembro, e uma senhora tirava a foto do seu filho – de mais ou menos cinco anos de idade – em frente a um presépio de Natal. O garoto pousava “como um rapaz”. Ao apagar do flash, “como um menino”, ele correu para o outro lado, desobedecendo a instrução da mãe, que desejava tirar mais fotos no mesmo local, e dizendo: “Eu quero tirar foto aqui”, de frente para a cadeira do “Papai Noel”. Apesar de ainda ser início de novembro o Papai Noel já chegaria em três dias, talvez face às mudanças climáticas no Pólo Norte, podemos ironizar.

Observando aquela cena, minha esposa comentou sobre o fascínio que o Papai Noel provoca durante o período de Natal, a ponto das crianças quase só valorizarem justamente o que nada tem a ver com o seu real sentido.

Mas será que essa é uma tendência apenas das crianças? Não seria também de tantos outros mais crescidinhos? E a Igreja dos dias atuais? Como tem se comportado diante do mês das compras, do décimo terceiro, da comilança e das confraternizações?

Parece que, na prática, cada vez olhamos menos para o menino da simples manjedoura e sua redentora história e talvez mais para tudo que envolve a festa do “bom velhinho” e sua grande cadeira vermelha, onde sentará apenas por alguns dias de fotos, pedidos, sorrisos e glamour.

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