Igreja Caseira?????? (Parte 1)

Publicado: 27 de agosto de 2009 em Todos
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pessoasAlguma vez já lhe perguntaram: “Que igreja você frequenta?”. Esta pergunta é muito comum hoje em dia, de modo especial entre cristãos. No entanto , esta pergunta em si toca uma nota significativa no propósito de Deus. Considere você a seguinte situação: Suponhamos que no lugar onde você trabalha, um novo empregado foi recentemente contratado. Ao falar com ele, você se intera de que é cristão. Quando lhe pergunta a que igreja vai, ele lhe responde dizendo:

—Eu frequento uma igreja que se congrega numa casa. Ao escutar sua resposta, que pensamentos percorrem tua mente? Pensa você: “Bom, isso é bastante estranho —este tipo deve ser um desajustado religioso ou alguma classe de proscrito emocional.” Ou: “Talvez faça parte de alguma seita estranha ou de algum excêntrico grupo marginal.” Ou: “Este cara deve ser orientado —porque não frequenta uma igreja regular?” Ou: “Seguramente este tipo tem de ser algum grupo rebelde; provavelmente é incapaz de submeter-se, caso contrário estaria  frequentando uma igreja normal —você sabe, aqueles que congregam em um edifício.”

Desafortunadamente, estes são os pensamentos que passam pela mente de muitos cristãos modernos, ao se depararem com a idéia de uma ‘reunião de igreja caseira’. Mas aqui está o ponto central: o lugar de reunião desse novo empregado era exatamente o mesmo de todos os cristãos mencionados no Novo Testamento! De fato, durante os primeiros três séculos desde seu nascimento, as igrejas locais se reuniam nos lares de seus membros. Robert Banks, erudito neotestamentário, faz esta observação: Considerando pequenas reuniões de apenas alguns cristãos numa cidade, como reuniões maiores que compreendiam toda a população cristã, era no lar de um dos membros onde se tinha a ‘ekklesía’ —por exemplo no ‘terraço’. Apenas depois de passados três séculos é que temos evidência da construção de edifícios especiais para as reuniões cristãs (Paul’s Idea of Community /O conceito que Paulo tinha da comunidade/).

O lugar que os cristãos primitivos usavam normalmente para reunir-se não era outro senão suas casas. Qualquer outra coisa seria exceção e, com toda segurança, seria algo fora do comum. Note você as passagens seguintes:

…E (os que tinham crido, partiam) o pão NAS CASAS .. (Fatos 2:46)

E Saulo assolava a IGREJA, invadindo CASA por CASA… (Atos 8:3)

…Mesmo assim nunca fugi de falar a verdade a vocês, tanto publicamente como NAS SUAS CASAS… (Atos 20:20)

Saudai a Priscila e a Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus… Saudai também à IGREJA de sua CASA… (Romanos 16:3 e 5)

As igrejas de Ásia vos saúdam. Áquila e Priscila, com a IGREJA que está em sua CASA, saúdam-vos muito no Senhor. (1 Coríntios 16:19)

Saudai aos irmãos que estão em Laodicéa, a Ninfas e à IGREJA que está em sua CASA. (Colossenses 4:15) …E à amada irmã Apia, e a Arquipo nosso colega de milícia, e à IGREJA que está em tua CASA. (Filemom 2)

Se alguém vem a vocês e não traz esta doutrina, não o recebais em CASA, nem lhe digais: Bem-vindo! (2 João 10)

Estes textos bíblicos demonstram amplamente que, normalmente, a igreja primitiva se reunia nos hospitaleiros lares de seus membros (vide também Atos 2:2; 9:11; 10:32; 12:12; 16:15, 34 e 40; 17:5; 18:7; 21:8). Portanto, os crentes do primeiro século não sabiam nada a respeito do equivalente a um edifício de ‘igreja’ de hoje. Também não sabiam nada a respeito de casas convertidas em basílicas, com bancos fixos de madeira dura, com um púlpito acompanhando o mobiliário da salão .Se tais coisas são comuns no século vinte, as mesmas eram estranhas para os crentes do primeiro século. Os cristãos primitivos simplesmente se congregavam em casas, em habitações comuns e normais. Assim, pois, o Novo Testamento não conhece nada parecido com ‘edifícios/igrejas’. Conhece a ‘igreja caseira’. Que fazia a igreja primitiva quando tornava-se demasiado grande para congregar-se numa só casa? Não erigia um edifício, mas simplesmente se ‘multiplicava’ e se reunia em várias casas, seguindo o princípio ‘nas casas’ (Atos 2:46; 20:20). Neste aspecto, a erudição neotestamentária concorda hoje em que a igreja primitiva era essencialmente uma rede de congregações baseadas em lares. Portanto, se existe algo considerado como igreja normal, esse algo é a igreja que se reúne numa casa. Ou como um autor expressou: “Se há uma forma neotestamentária da igreja, é a igreja caseira.” Não obstante, alguns argumentam dizendo que os cristãos primitivos teriam erigido edifícios especiais, se não estivessem sob perseguição; portanto, reuniam-se em lares para esconderem-se de seus perseguidores. Embora tal idéia seja algo popular, é baseada em pura conjectura e se conforma pobremente com a evidência histórica. Bill Grimes, no livro de Steve Atkerson, cristaliza este ponto dizendo:

Muitos descartam as igrejas caseiras primitivas como resultado de perseguição. No entanto, qualquer livro da história da igreja terá de revelar que a perseguição anterior ao ano 250 era esporádica, local (não generalizada) e normalmente mais resultante da hostilidade do populacho do que de um decreto oficial romano.

Assim, este mito da ‘perseguição’ distoa das Escrituras. Atos 2:46 , 47 descreve as reuniões caseiras num tempo em que “a cidade inteira tinha simpatia com eles”. Quando eclodiu a perseguição, o fato deles se reunirem nas casas não impediu Saulo de saber exatamente onde ir para prender os crentes (Atos 8:3). Obviamente eles não mantinham segredo sobre o local onde se reuniam (Toward a House Church Theology /Por uma teologia da igreja caseira/).

Se lemos o Novo Testamento com a intenção de entender como os cristãos do primeiro século se relacionavam uns com os outros, descobriremos que se reuniam em suas casas por razões que estão em harmonia com seus princípios espirituais. Assim, estas razões são aplicáveis a nós hoje com tanta pertinência como eram aos primeiros cristãos. Vejamos aqui algumas delas.

(1) O Lar é o Ambiente Natural para a Relação Mútua

Todas as instruções que os apóstolos deram com respeito à reunião eclesial, encaixam melhor no ambiente do pequeno grupo caseiro. As práticas eclesiais apostólicas regulamentares, como a participação mútua (Hebreus10:24, 25); o exercício dos dons de cada membro (1 Coríntios 14:26); a mútua edificação, os irmãos costituindo uma comunidade em contato direto, intencional (Efésios 2:21, 22); a refeição comunal (1 Coríntios 11); a transparência e a responsabilidade sinceras dos membros uns para outros (Romanos 15:14; Gálatas 6:1, 2; Tiago 5:16, 19, 20); a liberdade de perguntar e do diálogo interativo (1 Coríntios 14:29-40); e a koinwníiva /koinonía/ (vida compartilhada) do Espírito orientada para a liberdade (2 Coríntios 3:17; 13:14), todas operam melhor num ambiente de grupo pequeno tal como uma casa.

Em suma, as mais de cinquenta exortações envolvendo “uns aos outros” que há no Novo Testamento não podem ser obedecidas e levadas para o campo da prática devidamente, a não ser em um ambiente caseiro. Por esta razão, a reunião eclesial caseira conduz eminentemente à realização do propósito eterno de Deus —um propósito centrado na “edificação conjunta” de um Corpo na semelhança do Ungido (Efésios 2:19-22).

Extraído do Livro “Reconsiderando o Odre”
Autor: Frank A. Viola
Capítulo: “O Significado da reunião Eclesial”

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comentários
  1. Samuca disse:

    Olá, gostei muito de seus artigos, gostaria de te convidar para partipar de uma rede de troca de conteúdo, para mais detalhes me adiciona no msn co_herdeiro@hotmail.com ou me manda um email ok, ou ainda veja mais detalhes em http://www.ocasional.com.br/howto.aspx Abraços. Samuel

    • Esse comentário de uma “igreja caseira” onde podemos
      encaixá-lo em Hb 10.23-26? Gostaria também de saber em que
      casas e a que dono da casa, foram dirigidas as 7 cartas do Apo-
      calipse? Na casa de quem Paulo plantou todas as igrejas men-
      cionadas de suas viagens missionárias? Eu bem sei que igreja
      não é o edifício onde vamos, mas dizer que a igreja é caseira já
      é demais. Tente reunir 500 crentes em sua casa. Como ficará?
      Existiam muitos fatores que não permitiam os crentes terem um
      templo para suas reuniões naquela ocasião. Não dá pra isolar
      passagens neotestamentárias para construirmos um comentá-
      rio de conveniência como esse. A realidade hoje é bem diferen-
      te daquela. Os pequenos grupos quando a igreja iniciou até po-
      deriam se reunir em casa, mas depois que foi crescendo, outros
      meios e locais foram se adaptando a realidade do crescimento.
      Quantas reuniões semanais dá pra realizar numa “igreja casei-
      ra”? Como não interferir na rotina dessa casa? Não tem como
      tentar adaptar uma realidade de uma época a outra época.
      Naquele tempo o meio de transporte era jumento e camelo.
      E agora no século 21, qual o meio de transporte? Se alguém
      prefere o transporte daquela época e não o de hoje, não
      seria estranho? Não podemos nem mesmo ser como a igreja
      primitiva senão em essência, mas nas circunstâncias de cada
      uma, jamais. Olha quanto problema existia na igreja de Co-
      rinto? Praticar ou ser igual a ela hoje, é no mínimo burrice, pe-
      lo fato de termos a carta paulina que denuncia o que ali ocor-
      ria, não concorda? O mesmo se aplica quando se quer tomar
      algumas passagens do NT e definir uma igreja como sendo uma
      igreja caseira, não tem como se ajustar a realidade de hoje. É
      uma exegese falida e sem respaldo doutrinário. Com sincerida-
      de.

      • jadessilva disse:

        José Braz de Araújo,

        Entendo e respeito seu comentário amado, minha intenção com esse post não é definir “lugar” de culto, se no monte ou no templo, porque os verdadeiros adoradores adoram em espírito e em verdade, a questão aqui é definir e lembrar a essência de nos reunir, a essência de cultuar a Deus… coisa que temos perdido em muitas igrejas hoje. A respeito de construir prédios para acomodar pessoas não sou contra, só não acho muito bíblico gastar 350 milhões de reais para construir um “templo de salomão” enquanto tem tanta gente na nossa sociedade na miséria exaltando nome de placas denominacionais, nossa única intenção sempre precisa visar o reino de Deus em prol do próximo e não de nós mesmos. Buscando a Essência e a unidade, graça e paz.
        Jades Rogério

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